Tema: Rotina Profissional x Equilíbrio

1. O primeiro passo para a mudança é o mais difícil? Então de onde tirar motivação para começar a ter uma rotina mais equilibrada?
R. Primeiramente, é preciso ressaltar que a vida humana não se resume no restrito binômio trabalho/casa, até porque nossa vida jamais poderá ser sustentável apenas em termos de segurança econômica, grandes realizações, ou mesmo, crescimento profissional. Assim, a motivação para tal mudança – ou seja, a busca de um equilíbrio entre as áreas pessoal e profissional – pode ser feita através da conscientização da pessoa de que somente através de uma qualidade de vida bastante saudável ela atingirá tal equilíbrio. Vale ainda ressaltar que a qualidade de vida baseia-se nas seguintes dimensões: social, afetiva, trabalho e saúde. Exatamente das conexões e do equilíbrio entre estas diferentes dimensões que virão o crescimento e o bem-estar do ser humano.

2. Aos chefes que impõem ritmos exaustivos de trabalho, quais dados poderíamos citar e que comprovam que a qualidade de vida como um todo implica em melhores resultados também no trabalho?
R. A tomada de consciência de tais chefes poderia, inicialmente, ser feita através de dados estatísticos que demonstram que no meio organizacional se gasta muito mais (muito mais mesmo) quando não se investe em programas preventivos. Já seria este um primeiro e valioso passo, pois a o contrário pode ser um caos na organização. Sequencialmente, conscientizar de que fatores, tais como, aumento de licenças médicas, alcoolismo, absenteísmo, quedas de produtividade, acidentes de trabalho, stress ocupacional e/ou stress emocional, depressão, dano nas relações interpessoais, doenças como úlceras, infecções são danos importantes que demonstram necessidade urgente de um redimensionamento na vida desse trabalhador. Dessa forma, redimensionar, portanto, seria buscar através de programas de qualidade de vida. Assim, tais mudanças não só ocorreria no ambiente de trabalho como também haveria uma dessas mudanças e a generalização para a vida pessoal (o que é de extrema importância).

Estudos demonstram que resultados da implementação de programas de qualidade de vida podem ser assim elencados:
a) Quanto ao âmbito da saúde e bem-estar do trabalhador:
– Redução do stress excessivo;
– Maior sensação de bem-estar;
– Melhor desempenho;
– Redução de patologias orgânicas;
– Aspectos emocionais mais positivos.

b) Quanto ao âmbito da empresa:
– Redução de custos médicos;
– Redução de acidentes;
– Redução de absenteísmo;
– Maior retenção de trabalhadores saudáveis;
– Melhor clima empresarial;
– Relacionamento entre chefes e subordinados mais saudável

3. Como a senhora poderia analisar a figura do profissional que sai de férias com a família e, debaixo do guarda-sol, na praia, passa a manhã toda “cara-a-cara” com os arquivos de trabalho de seu computador portátil?
R. Certamente, que no mínimo, sua qualidade de vida está um tanto comprometida; ou seja, seu estilo de vida precisa ser reavaliado, e que, além de conscientizar-se de suas limitações, precisa aprender também a escutar as “queixas” do próprio organismo. É humano: não fomos feitos para estar ligados o tempo todo. É responsabilidade de cada um, estabelecer limites e, até, demarcar espaços com relação à preservação do “eu” e da saúde. Aqui, portanto, faz-se necessário aprender uma atitude de auto-monitoramento, antes de mais nada. Assim, a qualidade de vida será apenas uma consequência, pois como já dissemos, e agora reiteramos, a excelência pessoal é, tão somente, o resultado do equilíbrio entre as diversas áreas (social, afetiva, profissional e saúde) que compõem a vida de todos nós, seres humanos.

Entrevista realizada por: Walkíria Vieira Barreto – MTB 4316-PR
Entrevistada: Psicóloga Nione Torres (Psicóloga Clínica pela PUC de Campinas e Terapeuta do IACEP)

Equipe IACEP
Equipe IACEP
Cadastrado pela equipe de profissionais do Instituto de Análise do Comportamento em Estudos e Psicologia